Príncipe do Gueto é um espetáculo teatral criado a partir da experiência de crescer na Vila Rabelo, em Sobradinho II (DF), uma das mais antigas ocupações urbanas e uma das maiores favelas do Distrito Federal.
Escrito e interpretado por Roni Sousa, que cresceu na comunidade, o espetáculo acompanha a trajetória de um jovem atravessado pelas expectativas da família, pelas desigualdades sociais, pelas violências do cotidiano e pelo desejo de construir outros caminhos para a própria vida. Filho de uma família marcada pela migração do sertão nordestino para Brasília, ele revisita memórias da infância, relações familiares, perdas e acontecimentos que moldaram sua formação.
A Vila Rabelo não aparece apenas como cenário, mas como parte central da dramaturgia. O espetáculo nasce de memórias, imagens, relatos e experiências ligadas ao território e incorpora também a participação de moradores da própria comunidade por meio de videoprojeções. Dessa forma, Príncipe do Gueto constrói uma narrativa sobre a favela a partir do olhar de quem viveu e cresceu nela.
Em cena, teatro, audiovisual e paisagem sonora se articulam em um monólogo que aborda temas como pertencimento, masculinidade, desigualdade social, violência estrutural, memória e futuro.
O espetáculo estreou em maio de 2026 no Centro de Ensino Médio 04 de Sobradinho II, escola pública que atende estudantes da Vila Rabelo e de outras comunidades da região, e posteriormente realizou temporada no Teatro Ribondi – Casa dos Quatro, em Brasília.
Em 2026, Príncipe do Gueto foi selecionado para integrar a programação do Festival Política, em Lisboa, marcando sua primeira circulação internacional. A participação no festival também ganhou repercussão na imprensa portuguesa, com destaque no PÚBLICO.
Mais do que representar a periferia, Príncipe do Gueto parte dela como lugar de memória, criação, conhecimento e produção artística.
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